O protocolo e a fundamentação do estudo NEWROFEED, o primeiro ensaio clínico randomizado de não-inferioridade que compara o uso de um dispositivo de neurofeedback (NF) personalizado e domiciliar (Mensia Koala™) ao tratamento farmacológico padrão com metilfenidato (MPH) em crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Principais Conclusões:
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Objetivo Central: Demonstrar que o neurofeedback personalizado não é inferior ao metilfenidato na redução dos sintomas de TDAH.
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Inovação Técnica: O sistema Mensia Koala™ utiliza protocolos de treinamento adaptados ao eletroencefalograma (EEG) individual de cada criança, permitindo o tratamento em ambiente doméstico com monitoramento clínico remoto.
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Metodologia: O estudo envolve 179 crianças (7-13 anos) em 13 centros clínicos europeus, utilizando a escala ADHD-RS IV como desfecho primário.
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Justificativa: A busca por alternativas não farmacológicas eficazes é motivada por efeitos colaterais, baixa adesão e atitudes negativas em relação à medicação estimulante tradicional.
1. Contexto e Justificativa Científica
O TDAH é um dos transtornos psiquiátricos infantis mais comuns, com prevalência mundial de 5% a 7%. Embora o metilfenidato seja eficaz e amplamente utilizado, suas limitações incluem efeitos adversos e a necessidade de alternativas para pacientes que não respondem ou não aderem ao tratamento medicamentoso.
O neurofeedback (NF) surge como uma estratégia de autorregulação cerebral baseada em condicionamento operante. O paciente aprende a modificar sua atividade cerebral através de feedback visual ou auditivo em tempo real, geralmente apresentado na forma de um jogo de computador.
Mecanismos de Treinamento no TDAH
O estudo foca em dois protocolos padrão de NF, selecionados com base no perfil eletrofisiológico da criança:
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Down-regulation da Razão Theta/Beta (TBR): Redução da atividade lenta (theta) e aumento da atividade rápida (beta).
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Aumento do Ritmo Sensoriomotor (SMR): Relacionado à melhoria da hiperatividade, distratibilidade e qualidade do sono.
2. O Dispositivo Mensia Koala™
O diferencial do estudo NEWROFEED é o uso do sistema Mensia Koala™, projetado para reabilitação cerebral personalizada em casa.
Componentes do Sistema
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Componente |
Descrição |
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Hardware |
Tablet dedicado, amplificador de EEG de grau médico e touca com 8 eletrodos (Fpz, Fz, F3, F4, Cz, C3, C4, Pz). |
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Software |
Aplicativo de treinamento (“ADHD@Home NFT”) e portal de monitoramento para o clínico (“ADHD@Home Follow-up”). |
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Interface de Usuário |
Gamificação (jogos de pesca ou quebra-cabeça) que recompensa a atividade cerebral desejada em tempo real. |
Inovações em Personalização e Controle
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Frequência de Pico Alfa Individual: As bandas de frequência para o treinamento são ajustadas conforme a maturação cerebral específica de cada criança, extraída de um qEEG inicial.
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Controle de Artefatos: Algoritmos em tempo real removem ruídos (como piscadas e movimentos musculares) para garantir que as recompensas sejam baseadas apenas em sinais cerebrais limpos.
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Monitoramento Remoto: Os clínicos acompanham a conformidade e o desempenho semanalmente através de um portal web seguro.
3. Metodologia do Ensaio Clínico
O NEWROFEED é um estudo prospectivo, multicêntrico e randomizado, realizado na Bélgica, França, Alemanha, Espanha e Suíça.
População e Randomização
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Amostra: 179 crianças (7 a 13 anos) diagnosticadas com TDAH (apresentação inatenta ou combinada).
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Razão de Randomização: 3:2 (favorecendo o grupo NF para maximizar a exposição à nova tecnologia sem perder poder estatístico).
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Critérios de Inclusão: Diagnóstico via K-SADS, QI > 80, acesso a internet sem fio em casa e sem uso prévio de medicação psicoativa ou NF para TDAH.
Grupos de Intervenção
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Grupo NF (Neurofeedback):
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Protocolo (SMR ou TBR) definido por um limiar de TBR de 4,5 no qEEG de base.
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36 sessões domiciliares (4 por semana durante 9 semanas).
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Cada sessão dura menos de 30 minutos, incluindo blocos ativos e de transferência.
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Grupo MPH (Metilfenidato):
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Período de titulação aberta de 3 semanas (dose inicial de 10mg/dia, máxima de 60mg/dia).
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Tratamento de manutenção por 2 meses na dose ideal.
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4. Avaliações e Desfechos
O estudo utiliza uma abordagem multimodal para avaliar a eficácia e segurança das intervenções ao longo de 8 visitas em um período de 3 meses.
Endpoints Primários e Secundários
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Desfecho Primário: Mudança na pontuação total da escala ADHD-RS IV avaliada pelo clínico entre a inclusão e a visita final.
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Desfechos Secundários:
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Avaliações de pais e professores (ADHD-RS IV, SDQ).
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Funções executivas (BRIEF).
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Impressão Clínica Global (CGI-S e CGI-I).
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Teste de atenção computadorizado (Conners CPT 3).
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Biomarcadores de aprendizagem via qEEG.
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Margem de Não-Inferioridade
A não-inferioridade será declarada se o limite superior do intervalo de confiança de 90% para a diferença entre os grupos for inferior a 4,5 pontos na escala ADHD-RS IV. Este valor é considerado clinicamente aceitável, situando-se abaixo da diferença mínima clinicamente relevante de 6,6.
5. Cronograma de Visitas e Fluxo do Estudo
O acompanhamento é rigoroso, garantindo a segurança e a qualidade dos dados, especialmente para o grupo em ambiente doméstico.
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Visita |
Momento |
Principais Atividades |
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Pré-inclusão |
D-90 a D-1 |
Triagem, diagnóstico K-SADS e teste de QI. |
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Inclusão |
D0 |
Randomização, qEEG basal e escalas iniciais. |
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Descoberta/Titulação |
D7 a D28 |
4 visitas para aprender a usar o NF ou ajustar a dose de MPH. |
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Intermediária |
D60 |
Reavaliação de sintomas (ADHD-RS) e qEEG. |
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Final |
D90 |
Avaliação completa de eficácia, segurança e testes de atenção. |
6. Discussão e Limitações
O estudo NEWROFEED aborda desafios críticos na implementação do neurofeedback, como a necessidade de evidências robustas comparadas ao tratamento padrão.
Pontos Fortes
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Ecologia do Tratamento: O uso domiciliar permite que as habilidades aprendidas sejam transferidas mais facilmente para situações da vida real.
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Rigor Técnico: Controle rigoroso de artefatos e personalização baseada em iAPF e perfis de TBR.
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Monitoramento: Intervenção ativa do clínico em caso de baixa adesão (menos de 2 sessões por semana).
Limitações Reconhecidas
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Ausência de Mascaramento: Devido à natureza das intervenções (pílulas vs. hardware de EEG), o estudo não é cego para clínicos e pacientes.
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Falta de Grupo Sham: O uso de neurofeedback “falso” (sham) foi descartado por questões éticas e pela dificuldade em manter o cegamento, já que pacientes costumam detectar o feedback não relacionado à sua atividade.
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Seguimento: O protocolo atual não prevê um acompanhamento sistemático de longo prazo após os 3 meses iniciais.
Este ensaio clínico busca estabelecer o neurofeedback personalizado como uma opção terapêutica validada, oferecendo uma alternativa baseada em tecnologia para o manejo do TDAH na infância.
FONTE: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6676623/pdf/12888_2019_Article_2218.pdf
